A noite de sábado (31) em Matinhos confirmou que o Verão Maior Paraná também é território das grandes lendas da música brasileira. Depois da abertura internacional com a banda jamaicana Inner Circle, quem assumiu o palco foi Os Paralamas do Sucesso, em um show que misturou emoção, resistência e uma comunhão entre banda e público, nem mesmo interrompida pela chuva.
Com mais de quatro décadas de estrada, o trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone preparou um show intenso, com um setlist de 24 músicas que atravessam gerações e seguem como hinos da música brasileira.
No entanto, uma chuva que começou leve no início da apresentação foi se intensificando ao longo do show. No momento em que Herbert encerrava “Aonde Quer Que Eu Vá”, cantada em coro pelos cerca de 153 mil presentes, a banda precisou interromper a apresentação por segurança.
Com tranquilidade e respeito ao público, o vocalista explicou a situação. “Com mil perdões, rapaziada, não foi deslumbre ou estrelismo da gente. É porque eletrônica e água são completamente incompatíveis. Além do risco de choque, começa a falhar tudo. Vamos aguardar um pouco pra ver se melhora”, avisou.
A resposta do público foi imediata. Aplausos, compreensão e um grito que virou símbolo da noite: “Eu não vou embora”. E ninguém foi. Com a chuva mais fraca e a estrutura reposicionada, a banda voltou ao palco em segurança e retomou o show com ainda mais energia.
Na volta, o baterista João Barone agradeceu o carinho da plateia. “Eu só queria falar da incrível experiência de estar aqui com essa plateia gigantesca. Obrigado por terem levantado a chuva. A gente conseguiu terminar o show. É muito legal ver que a gente tem uma plateia maravilhosa, de pessoas do bem”, disse para o delírio de quem assistia.
Nos bastidores, Barone também destacou o simbolismo da noite, dividida com outra lenda da música mundial. “Foi uma alegria saber que a gente tá dividindo a noite com o Inner Circle, uma banda lendária do reggae. Muita gente conhece eles mais dos anos 90 pra cá, mas é uma banda da época do Bob Marley. É uma honra dividir essa noite, ainda mais sabendo que o reggae sempre teve uma presença muito forte no nosso trabalho, desde o início”, afirmou.
Segundo o baterista, a sensação de subir ao palco segue a mesma, mesmo depois de tantos anos. “Quando a gente sobe no palco, é sempre um momento de grande êxtase, de grande prazer. Com uma plateia gigantesca dessa, isso fica potencializado. O Herbert costuma dizer que não existe remédio parecido com o que a música provoca na gente e no público”, contou.
O repertório passeou por toda a trajetória do grupo. O show abriu com “Vital”, voltou depois da pausa por conta da chuva com “A Novidade”, parceria com Gilberto Gil, seguiu com outros clássicos e terminou em clima de catarse, com o público cantando junto “Meu Erro”, em um dos momentos mais emocionantes da noite.