A coquetelaria deixou de ser coadjuvante para assumir papel central na experiência gastronômica. Em um mercado cada vez mais atento à curadoria, à identidade e à memória que um lugar é capaz de criar, cartas de drinks autorais ganham protagonismo e ajudam a reposicionar bares e restaurantes que entendem a bebida como parte da narrativa da casa.
A tendência acompanha um movimento global. Dados da NielsenIQ, líder mundial em inteligência do consumidor, mostram que o consumo fora de casa está cada vez mais ligado à experiência, à influência dos bartenders e à busca por escolhas mais qualificadas. Em estudo divulgado em 2025, a NIQ apontou que 72% dos consumidores recorrem ao bartender quando estão em dúvida sobre o que pedir, enquanto 79% dos profissionais afirmam sugerir drinques específicos em todos os turnos de trabalho, reforçando o peso estratégico da coquetelaria na decisão de consumo.
Esse cenário ajuda a explicar por que operações que investem em mixologia de alto nível vêm ganhando relevância. Em vez de cartas extensas e genéricas, cresce o interesse por menus mais enxutos, autorais e conectados ao conceito do lugar. A lógica acompanha também outras transformações do setor de bebidas, como a valorização de experiências mais sofisticadas, o crescimento das opções sem álcool e a busca por propostas com identidade mais clara. Segundo a IWSR, referência global em dados e inteligência sobre bebidas alcoólicas, o mercado entra em 2025 e 2026 ainda marcado pela busca por experiências mais qualificadas, moderação e inovação, com previsão de alta de 9% no volume global de produtos sem álcool em 2025.
É dentro desse movimento que bares como Olga Speakeasy e Fun’iki Sushi Rooftop, ambos do Grupo T2, reforçam sua aposta em cartas autorais como parte essencial da experiência. No Olga, a coquetelaria dialoga com a proposta de botica bar, com ingredientes brasileiros, tinturas, garrafadas e elixires que ajudam a construir uma atmosfera mais sensorial. Já no Fun’iki, a carta acompanha a gastronomia e a proposta contemporânea da casa, conectando sabor, estética e experiência compartilhada.
À frente desse trabalho está Julio Perbichi, bartender, pesquisador de coquetelaria e gestor dos bares do Grupo T2. Natural de São José dos Pinhais, Julio integra a noite curitibana há 20 anos e atua como bartender há mais de uma década. Ao longo da carreira, desenvolveu uma assinatura marcada pela hospitalidade, pela valorização de ingredientes e pela criação de experiências que conectam bebida, ambiente e público. “Hoje, uma boa carta de drinks precisa conversar com o conceito da casa, com a cozinha, com o ritmo do serviço e com o que o público quer viver ali. O drinque deixou de ser apenas acompanhamento e passou a ser parte da identidade do lugar”, afirma Julio Perbichi.
A mudança também é percebida nos principais mercados internacionais. Relatórios do setor indicam que clássicos bem executados seguem fortes, mas dividem espaço com releituras, menus mais autorais e maior atenção à experiência geral de consumo. No levantamento Brands Report 2025, da Drinks International, o gin segue entre as categorias mais presentes nos bares de referência, enquanto o martini reforça sua retomada como símbolo de sofisticação, precisão e repertório clássico.
Para o setor de hospitalidade, a coquetelaria passa a cumprir funções que vão além do balcão. Ajuda a elevar ticket médio, ampliar permanência, criar desejo e fortalecer posicionamento. Em um ambiente competitivo, bares e restaurantes que tratam a bebida como linguagem própria tendem a construir experiências mais memoráveis e mais coerentes com o público que desejam atrair. “No Olga e no Fun’iki, a bebida não está ali só para acompanhar. Ela participa da história que o cliente vive dentro da casa. Quando a coquetelaria é pensada com profundidade, ela cria memória, conversa com o ambiente e faz toda a diferença na percepção final da experiência”, completa Julio.
Como reflexo dessa fase mais autoral e sensorial da coquetelaria, ingredientes de forte apelo afetivo, como o café, também ganham releituras sofisticadas nas cartas de drinks. Em datas como o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, esse movimento se torna ainda mais interessante por aproximar técnica, memória e experiência em uma única taça.
Entre os exemplos possíveis está uma criação assinada por Julio Perbichi, em que o café aparece combinado a destilados, notas aromáticas e camadas de sabor que traduzem bem esse novo momento da mixologia, mais identitária, criativa e conectada ao que o público busca viver dentro de uma casa. Confira:
Caribbean Coffee
– 30 ml rum spiced San Basile
– 30 ml Fallernum
– 30 ml licor de café Cabral
– 20 ml amaro Olívia Sal
– 5 ml de suco de limão
Serviços:
Fun’iki Sushi Rooftop
Rua Desembargador Motta, 2311 – Batel, Curitiba – PR
(41) 99993-2361
funikirooftop.com.br
Segunda a quinta: 18h30 às 23h | Sexta e sábado: 18h30 à 00h
Olga Speakeasy
Endereço: Vicente Machado, 666
Horários: quinta, sexta e sábado das 19h à 01h
Reservas recomendadas
Instagram: @olgaspeakeasy