Não é exagero dizer que Paris Hilton foi uma das pioneiras no universo de influenciadores, antes que o termo sequer existisse e que a cultura digital tomasse as proporções que conhecemos hoje. Ícone dos anos 2000, estrela de reality shows e talvez o maior exemplo de uma pessoa “famosa por ser famosa”, a herdeira, empresária, modelo, atriz e DJ tem tentado se desvencilhar de uma antiga imagem: uma personagem que criou e interpretou por longos anos para se proteger, diz ela.
“Viver o início dos anos 2000 foi muito difícil e traumático. A mídia era cruel e agressiva com as mulheres jovens. Nos tratar daquela forma era entretenimento para as pessoas”, avaliou Paris em entrevista ao Estadão.
Em Infinite Icon: Uma Memória Visual, documentário que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 29, Paris revê a própria história e persona pública ao declarar que a música é a coisa mais importante de sua vida. Com o álbum homônimo, lançado em 2024, ela voltou à carreira musical, iniciada em meados dos anos 2000, e diz sentir que finalmente pode conquistar espaço como estrela pop no ramo.
Em Infinite Icon: Uma Memória Visual, documentário que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 29, Paris revê a própria história e persona pública ao declarar que a música é a coisa mais importante de sua vida. Com o álbum homônimo, lançado em 2024, ela voltou à carreira musical, iniciada em meados dos anos 2000, e diz sentir que finalmente pode conquistar espaço como estrela pop no ramo.
Herdeira da família fundadora da rede de hotéis Hilton, Paris era figurinha carimbada da vida noturna de Los Angeles em meados daquela década. Clicada por paparazzi invasivos, a socialite estampava tabloides americanos como a “loira festeira” e é considerada uma das criadoras da cultura de reality show: com Nicole Richie, estrelou o programa The Simple Life ao longo de cinco temporadas – anos antes de as irmãs Kardashian dominarem o gênero.
Na época, Paris também se divertia tocando como DJ em festas badaladas, o que logo virou uma de suas principais atividades. Em 2006, resolveu se lançar como cantora com um álbum que carregava seu nome no título, e chegou a subir nas paradas musicais com a faixa Stars Are Blind. Mas ela ainda era vista como a garota rica, festeira e fútil, e sua tentativa de virar uma popstar não foi bem recebida na indústria da época.

Parte dessa imagem foi criada e sustentada por ela mesma durante grande parte de sua carreira sob os holofotes. O objetivo era se proteger, diz, e escapar dos traumas da adolescência.
De 2020 para cá, Paris decidiu desconstruir essa narrativa, declarando repetidamente: “Eu não sou uma loira burra, só sou muito boa em fingir ser uma”. Naquele ano, a empresária lançou o documentário This Is Paris, em que contou pela primeira vez sobre os abusos sofridos em internatos para “jovens problemáticos”, pelos quais passou na adolescência. O ativismo que se seguiu, inclusive, refletiu em leis estaduais e federais nos Estados Unidos para proteger crianças.
Paris mais tarde mergulhou nessas confissões no livro Paris Hilton: A autobiografia, publicado em 2023. O documentário Infinite Icon “é a terceira parte de uma trilogia: estou contando minha história completa, mas por meio das lentes da música e de uma forma poderosa e emocional”, contou ela ao Estadão. “Estou sendo a Paris mais real e vulnerável que já apareceu diante das câmeras. É uma sensação incrível e libertadora.”
Foi em 2024, aos 43 anos, que decidiu retomar o antigo sonho de ser uma pop star e lançou Infinite Icon, seu segundo álbum de estúdio, produzido por Sia. Foi a cantora que incentivou Paris a voltar ao estúdio após uma apresentação ao lado de Miley Cyrus.
O mote do filme homônimo, dirigido por Bruce Robertson e JJ Duncan, é recontar a trajetória de Paris da “jovem silenciada” à artista que toma sua narrativa para si. Ela celebra sua marca na cultura pop e também faz um revisionismo em primeira pessoa. O material faz um compilado com registros de seu primeiro show no Hollywood Palladium, entrevistas e imagens inéditas de arquivo pessoal, gravadas ao longo dos anos por seu próprio videógrafo – Paris foi uma das primeiras celebridades a adotar essa estratégia como forma de controlar a própria imagem.
A produção toca em pontos sensíveis, como a abordagem misógina que a mídia dos anos 2000 usava para humilhar jovens mulheres (veja o vídeo no topo da página) e o vazamento de um vídeo íntimo por um namorado mais velho, quando Paris tinha 19 anos – casos parecidos aconteceram com outras personalidades da época.
Recentemente, ela esteve em uma manifestação em Washington, nos Estados Unidos, em apoio à criação de uma lei que visa proteger vítimas de conteúdo sexualmente explícito gerado por inteligência artificial (IA). “Quando eu tinha 19 anos, um vídeo privado e íntimo meu foi espalhado pelo mundo, sem meu consentimento. As pessoas chamaram isso de escândalo. Não era; foi um abuso. Não havia lei para me proteger na época. Nem sequer havia o vocabulário para descrever o que fizeram comigo. A internet era novidade, e a crueldade que vinha com ela, também”, disse a empresária no evento.
Infinite Icon também aborda aspectos íntimos da saúde mental de Paris, como o diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Hoje casada com o empresário Carter Reum, ela tem dois filhos pequenos, Phoenix e London, de 3 e 2 anos.
(Estadão/Imagens: Divulgação)


