Hilda Hilst (1930-2004), umas das maiores escritoras brasileiras, morreu há 22 anos, em 4 de fevereiro de 2004. Poeta, ficcionista, cronista e dramaturga, Hilda publicou obras consagradas como Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974) e A Obscena Senhora D. (1982), transitando por temas existenciais – o amor, a morte, o erotismo e o misticismo entre eles.
Paulista de Jaú, Hilda morreu aos 73 anos, em Campinas, onde vivia, após complicações cardíacas e pulmonares de uma queda que causou fratura no fêmur.
Confira algumas das frases e trechos mais marcantes da autora para lembrar em seu aniversário de morte:
1. “Quem és? Perguntei ao desejo. / Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.” – Do Desejo (1992)
2. “Quero ser lida em profundidade e não como distração, porque não leio os outros para me distrair mas para compreender, para me comunicar. Não quero ser distraída.” – Ao Estadão, mencionada em Fico besta quando me entendem: Entrevistas com Hilda Hilst (2013)
3. “Há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. E por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira.” – Estar Sendo. Ter sido (1997)
4. “(…) E o que foi a vida? Uma aventura obscena, de tão lúcida.” – A Obscena Senhora D. (1982)
5. “Eu não posso acreditar que eu tendo sentido tudo que eu senti, tendo visto tudo que eu vi, tendo tido essa compaixão de espremer o coração e as vísceras, de repente, simplesmente, vou para a terra, apodreço e fim, zero, terminou.” – Em entrevista ao Jornal da Tarde.
6. “Porque imperfeito és carne e perecível / E o que eu desejo é luz e imaterial” – Da Noite (1992)
7. “Os solilóquios do amor não se eternizam. / E no entanto, refaço minhas asas / Cada dia. E no entanto, invento amor / Como as crianças inventam alegria”. – Roteiro do Silêncio (1959)
8. “Convém amar / Ainda que seja / Por um momento: / Brisa leve a / Princípio e seu / Breve momento / Também é jeito / De ser, do tempo” – Trovas de muito amor para um amado senhor (1960)
9. “Escrever ficção é um trabalho mais ou menos disciplinado. A poesia não. A poesia você não programa, é um estado quase inexplicável porque surge a qualquer momento. O primeiro verso aparece para você.” – ao Jornal da Tarde
10. “Estou convencida de que o amor é a única coisa a se viver. Minha infraestrutura é completamente amorosa. Eu queria viver sempre na paixão. Isso pode custar anos de vida, esse ‘viver’ unicamente em função da paixão (…) eu daria com muito prazer anos da minha vida para só conhecer esse estado” – Fico besta quando me entendem: Entrevistas com Hilda Hilst (2013)
(Estadão)


