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Programe-se

20/09/2026
TEATRO

Em circulação nacional, espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo” chega à CAIXA Cultural Curitiba

espetáculo CAIXA

De 24 de setembro a 4 de outubro, a CAIXA Cultural Curitiba recebe “Ideias para adiar o fim do mundo”, espetáculo inspirado na obra de mesmo nome de Ailton Krenak, que articula arte, memória e urgências contemporâneas.

Com direção de João Bernardo Caldeira e atuação de Yumo Apurinã, a montagem acompanha a trajetória de um homem indígena que busca reconstruir os vínculos com sua ancestralidade após ter sido evangelizado na infância. Em cena, o ator interpreta a si mesmo e conduz o público por uma jornada que entrelaça memória pessoal e questões que atravessam os povos indígenas no Brasil.

As apresentações ocorrem de quinta-feira a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Os ingressos já estão à venda na bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba e pela plataforma Bilheteria Digital.

Após temporadas com sessões esgotadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, “Ideias para adiar o fim do mundo” ampliou sua circulação nacional em 2026, com apresentações em São Paulo e Belém e participação no MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em Santos. O espetáculo também foi selecionado, a convite da La Clima e da File Foundation, para integrar a programação da COP30, em Belém do Pará, no âmbito do Dia da Justiça Climática.

“Somos mesmo uma humanidade?”, essa é a pergunta que Apurinã faz no palco. O ator interpreta a si mesmo, um homem do povo Apurinã que, evangelizado na infância, tenta reconstruir sua relação com a ancestralidade.

A revolução de Ailton Krenak e o estereótipo indígena

Líder indígena, ambientalista e escritor do povo Krenak, Ailton Krenak é imortal da Academia Brasileira de Letras e da Academia Mineira de Letras. Em 1987, durante a Assembleia Nacional Constituinte, que elaboraria a Constituição Federal de 1988, protagonizou uma das cenas mais marcantes da história brasileira ao pintar o rosto de preto, na tribuna, em protesto contra retrocessos nos direitos indígenas.

A Constituição de 1988 representou uma mudança fundamental ao reconhecer os direitos originários dos povos indígenas, rompendo com uma política de tutela, apagamento de suas culturas e integração forçada à sociedade nacional.

“A presença de Ailton Krenak na Assembleia Constituinte é um momento fundamental do espetáculo, porque ali não estava em disputa apenas um conjunto de direitos, mas a própria possibilidade de os povos indígenas continuarem existindo enquanto povos indígenas. O indígena era pensado como alguém que, em algum momento, deveria deixar de sê-lo para integrar plenamente a sociedade nacional”, comenta Caldeira.

“A peça destaca a violência fundadora do Estado brasileiro, marcada pela distinção entre corpos considerados civilizados e aqueles historicamente destinados ao apagamento, à expropriação e à morte”, explica o diretor.

A própria trajetória de Yumo Apurinã atravessa o espetáculo e expõe estereótipos que ainda recaem sobre os povos indígenas, como explica o ator: “Você é índio de verdade? Come carne de macaco? Por que não está na sua aldeia? Essas são algumas das perguntas que acabo lidando diariamente. Parece que, ao longo dos anos, desde quando eu vim pra cidade, as pessoas não indígenas me veem com uma lupa, assim, de verificação, de validação. De até que ponto eu sou indígena ou não, se eu mereço estar aqui, se eu devo estar aqui. E talvez, com essa peça e com outras peças em que outras pessoas indígenas são protagonistas das nossas histórias, essa lupa possa ser tirada”.

Ao refletir sobre o pensamento que inspira o espetáculo, Yumo aproxima a trajetória de Krenak de sua própria experiência: “Quando se fala do pensamento do Ailton Krenak eu sempre o enxergo como um porta-voz, como uma ponte de muitos seres e de muitas histórias. Isso parte desde o povo Krenak, claro, mas também passa pelas montanhas, pelos rios, por outros povos, por outros territórios, por outros modos de pensar e de existir. Então, eu não coloco esse peso somente nele. Até porque ele mesmo fala que nós andamos em constelações, que nós não andamos
sozinhos. E eu acho que, de alguma maneira, isso também acontece comigo. Eu sou feito de muitas histórias, de muitas pessoas, de muitos seres e de muitos territórios”, conta Yumo Apurinã.

“Ideias para adiar o fim do mundo” ainda aborda a crise climática e a conexão com a natureza.

“Queremos convidar o público a ampliar seus campos sensoriais e procurar experimentar outras maneiras de perceber aquilo que está à sua volta. Talvez reflorestar nossos imaginários seja também recuperar nossa capacidade de nos espantarmos com o mundo e, a partir daí, inventar outras formas de habitá-lo”, diz o diretor João Bernardo Caldeira. “O teatro pode nomear e preencher ideias que estão se esvaziando, como ‘crise climática’ e ‘colonização’, até perdermos a relação com essas catástrofes. Não há floresta sem os povos que nela habitam”, finaliza.

Mais informações no site oficial da CAIXA Cultural Curitiba e pelos perfis no Instagram: @adiarofim, @yumoapurina  e @joaobernardocaldeira.

SINOPSE
Num planeta em crise, devastado por tiro, boi, cimento e cruz, um indígena nascido na Aldeia Mawanaty, na Amazônia, busca as raízes de seu povo sabotadas pela colonização. Ao revisitar sua própria história e a de seu povo, ele confronta as narrativas que moldaram o Brasil e lança uma pergunta fundamental: somos mesmo uma humanidade? Inspirado nas obras de Ailton Krenak.

FICHA TÉCNICA
Atuação, texto e cenário: Yumo Apurinã
Direção, texto, cenário, idealização e direção de produção: João Bernardo Caldeira
Voz em off: Ailton Krenak
Direção assistente: Carol Ozório
Preparação corporal: Giovanna Aguirre
Figurinos: Wangleys Manaó
Iluminação: Djalma Amaral
Trilha sonora original: Felipe Storino
Bases e paisagens sonoras: Xipu Puri, Felipe Storino, Juão Nÿn, Kae Guajajara e Kandu Puri
Projeções mapeadas: Renato Krueger
Consultoria iconográfica: Juão Nÿn
Colaboração artística: Cesar Augusto
Visagismo: Sandro Akroá
Cenotécnico: Humberto Silva Jr.
Fotografia: Dalton Valério e Clarissa Ribeiro
Identidade visual: Leticia Andrade
Assessoria de imprensa: TIP – Performance de Mídia
Redes Sociais: Una Terra e João Paulo Melo
Residência artística: Aldeia Marakanã
Assistência de produção: Alípia Mattos
Produção local: Marcos Trindade
Assistência de produção local: Edran Mariano
Realização: São Bernardo
Patrocínio: CAIXA Cultural

Serviço:

“Ideias para adiar o fim do mundo”
Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280, Centro
Data: de 24 de setembro a 4 de outubro de 2026
Horário: quinta-feira a sábado, às 20h | domingo, às 19h
Sessões com intérprete de Libras: 25 de setembro e 3 de outubro de 2026
Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (clientes CAIXA e casos previstos em lei)
Vendas: bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba e Bilheteria Digital [6]
Duração: 75 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 125 lugares, sendo 2 para cadeirantes
Informações: Instagram @caixaculturalcuritiba
Instagram do espetáculo: @adiarofim

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